A inteligência é um espaço
que inviabiliza o tempo.
E acolhe, no entanto,
todo o visível concreto
para o devolver abstracto
do real. E mais objecto.
Porque, mundo enfim, e estado
de terra e conhecimento,
é anterior a o pensarmos
e só depois tema. Aberto
ao invisível trabalho
que se obstina. Toma alento
e vai subindo. Até o espaço
da inteligência e do tempo
se volverem num só alto
país de conhecimento.
[FERNANDO ECHEVARRÍA]
(Categorias E Outras Paisagens)
UMA TENTATIVA DE PARTILHAR POEMAS, UM POR DIA. CORREU BEM EM 2012. NÃO CORREU BEM EM 2013 E 2014. SERÁ QUE ESTE ANO DE 2015 É ESPECIAL E FARÁ COM QUE, DE NOVO, SE CUMPRA O DESEJADO?
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
[INVERNO] E [LUZ DE NEVE]
Hoje, dois poemas:
INVERNO
Folhas mortas, espezinhadas
na lama do passeio.
A luz perdida das nervuras.
Dorsos que estalam
ao partir.
No mês passado
ainda rolavam
com a ventania.
na lama do passeio.
A luz perdida das nervuras.
Dorsos que estalam
ao partir.
No mês passado
ainda rolavam
com a ventania.
LUZ DE NEVE
Uma luz de neve,
horizontal e fria.
Sem destino algum,
ofusca
e cega.
Onde não há abetos,
nem pistas de alces,
nem ravinas por perto.
Vazia duna de luz
perdida.
A luz da neve.
horizontal e fria.
Sem destino algum,
ofusca
e cega.
Onde não há abetos,
nem pistas de alces,
nem ravinas por perto.
Vazia duna de luz
perdida.
A luz da neve.
[JOSÉ MANUEL FERREIRA LOPES]
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
[NO MEU EDEN]
No meu Eden todos observamos rituais compulsivos e
tabus supersticiosos, mas não temos moral: na sua Nova
Jerusalém os templos estarão vazios e todos serão devotos
das virtudes racionais.
[W. H. AUDEN (1907 - 1973)]
(O Massacre dos Inocentes -uma antologia)
(tradução de José Alberto Oliveira)
(in Poemário Assírio & Alvim 2013)
tabus supersticiosos, mas não temos moral: na sua Nova
Jerusalém os templos estarão vazios e todos serão devotos
das virtudes racionais.
[W. H. AUDEN (1907 - 1973)]
(O Massacre dos Inocentes -uma antologia)
(tradução de José Alberto Oliveira)
(in Poemário Assírio & Alvim 2013)
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
[NADA PODE]
Nada pode ser mais complexo que um poema,
organismo superlativo absoluto vivo,
apenas com palavras,
apenas com palavras despropositadas,
movimentos milagrosos de míseras vogais e consoantes,
nada mais que isso,
música,
e o silêncio por ela fora
[HERBERTO HELDER (1930)]
(Servidões)
(in Poemário Assírio & Alvim 2014)
organismo superlativo absoluto vivo,
apenas com palavras,
apenas com palavras despropositadas,
movimentos milagrosos de míseras vogais e consoantes,
nada mais que isso,
música,
e o silêncio por ela fora
[HERBERTO HELDER (1930)]
(Servidões)
(in Poemário Assírio & Alvim 2014)
domingo, 22 de fevereiro de 2015
[SOZINHA NO BOSQUE]
Sozinha no bosque
Com meus pensamentos,
Calei as saudades,
Fiz tréguas a tormentos.
Olhei para a Lua,
Que as sombras rasgava,
Nas trémulas águas
Seus raios soltava.
Naquela torrente
Que vai despedida
Encontro assustada
A imagem da vida.
Do peito, em que as dores
Já iam cessar,
Revoa a tristeza,
E torno a pensar.
[MARQUESA DE ALORNA (1750 - 1839)]
(in "Do Infinito Mar Do Meu Desejo")
Com meus pensamentos,
Calei as saudades,
Fiz tréguas a tormentos.
Olhei para a Lua,
Que as sombras rasgava,
Nas trémulas águas
Seus raios soltava.
Naquela torrente
Que vai despedida
Encontro assustada
A imagem da vida.
Do peito, em que as dores
Já iam cessar,
Revoa a tristeza,
E torno a pensar.
[MARQUESA DE ALORNA (1750 - 1839)]
(in "Do Infinito Mar Do Meu Desejo")
sábado, 21 de fevereiro de 2015
[ONDE POREI MEUS OLHOS QUE NÃO VEJA]
Onde porei meus olhos que não veja
A causa, donde nasce meu tormento?
A que parte irei co pensamento
Que para descansar parte me seja?
Já sei como s'engana quem deseja
Em vão amor firme contentamento
De que nos gostos seus, que são de vento,
Sempre falta seu bem, seu mal sobeja.
Mas ainda sobre claro desengano
Assim me traz est'alma sogigada,
Que dele está prendendo o meu desejo.
E vou de dia em dia, de ano em ano,
Após um não sei quê, após um nada,
Que, enquanto mais me chego, menos vejo.
[DIOGO BERNARDES (1530? - 1596?)]
(in "Do Infinito Mar do Meu Desejo")
A causa, donde nasce meu tormento?
A que parte irei co pensamento
Que para descansar parte me seja?
Já sei como s'engana quem deseja
Em vão amor firme contentamento
De que nos gostos seus, que são de vento,
Sempre falta seu bem, seu mal sobeja.
Mas ainda sobre claro desengano
Assim me traz est'alma sogigada,
Que dele está prendendo o meu desejo.
E vou de dia em dia, de ano em ano,
Após um não sei quê, após um nada,
Que, enquanto mais me chego, menos vejo.
[DIOGO BERNARDES (1530? - 1596?)]
(in "Do Infinito Mar do Meu Desejo")
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
[CLAROS OLHOS AZUIS, OLHOS FERMOSOS,]
Claros olhos azuis, olhos fermosos,
Que o lume destes meus escurecestes;
Olhos que o mesmo amor de amor vencestes
Cos vivos raios sempre vitoriosos;
Olhos serenos, olhos venturosos,
Que ser luz de tal gesto merecestes,
Ditosos em render quanto rendestes,
E em nunca ser rendidos mais ditosos;
Que mour'eu por vos ver, e que vos traga
Nas meninas dos meus perpetuamente
Cousa é que justamente amor ordena.
Mas, que de vós não tenha mais que a pena
Com que amor tanta fé tão mal me paga,
Nem o diz a razão, nem o consente.
[LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524? - 1580)]
(in "Do Infinito Mar Do Meu Desejo")
Que o lume destes meus escurecestes;
Olhos que o mesmo amor de amor vencestes
Cos vivos raios sempre vitoriosos;
Olhos serenos, olhos venturosos,
Que ser luz de tal gesto merecestes,
Ditosos em render quanto rendestes,
E em nunca ser rendidos mais ditosos;
Que mour'eu por vos ver, e que vos traga
Nas meninas dos meus perpetuamente
Cousa é que justamente amor ordena.
Mas, que de vós não tenha mais que a pena
Com que amor tanta fé tão mal me paga,
Nem o diz a razão, nem o consente.
[LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524? - 1580)]
(in "Do Infinito Mar Do Meu Desejo")
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