O Poeta precisamente só o será quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo.
[ANTÓNIO MARIA LISBOA (1928 - 1953)]
(Poesia)
(in Poemário Assírio & Alvim 2014)
UMA TENTATIVA DE PARTILHAR POEMAS, UM POR DIA. CORREU BEM EM 2012. NÃO CORREU BEM EM 2013 E 2014. SERÁ QUE ESTE ANO DE 2015 É ESPECIAL E FARÁ COM QUE, DE NOVO, SE CUMPRA O DESEJADO?
terça-feira, 31 de março de 2015
segunda-feira, 30 de março de 2015
A ÁRVORE DA VIDA
A Árvore da Vida é adornada de belas flores
E em seu redor perfilam-se as mais garbosas hostes.
A sua crista domina o espaço imenso
E as planuras do céu recebem os frutos maduros.
Na ramaria, em glória pousa um bando de
esplendorosas aves
E as aves entoam cânticos de perfeita harmonia.
As folhas não secam e as flores não murcham
E antes crescem sua beleza e abundância.
Belo é o bando das aves que guarda a árvore
Luminosas as cores brilhando em milhares de penas.
Sem temor nem pecado em serena alegria
Por cada pena as aves cantam mil melodias.
[IRLANDÊS - AUTOR DESCONHECIDO ( FINAL DO SÉCULO X)]
( in O Grito do Gamo - poemas celtas da fé e do sagrado)
(tradução de José Domingos Morais)
(in Poemário Assírio & Alvim 2013)
E em seu redor perfilam-se as mais garbosas hostes.
A sua crista domina o espaço imenso
E as planuras do céu recebem os frutos maduros.
Na ramaria, em glória pousa um bando de
esplendorosas aves
E as aves entoam cânticos de perfeita harmonia.
As folhas não secam e as flores não murcham
E antes crescem sua beleza e abundância.
Belo é o bando das aves que guarda a árvore
Luminosas as cores brilhando em milhares de penas.
Sem temor nem pecado em serena alegria
Por cada pena as aves cantam mil melodias.
[IRLANDÊS - AUTOR DESCONHECIDO ( FINAL DO SÉCULO X)]
( in O Grito do Gamo - poemas celtas da fé e do sagrado)
(tradução de José Domingos Morais)
(in Poemário Assírio & Alvim 2013)
domingo, 29 de março de 2015
PORTAS FECHADAS
As sombras repetem-se
e chegam trémulas
ao pé das cidades.
Ninguém quer abrir as
portas
com medo da epidemia.
O sangue desce das
montanhas
e interna-se nos
hospitais.
Nos quartéis choram os
cavalos
e não querem ouvir
falar de guerra,
têm más recordações,
pensam nas pradarias
e nas suas
companheiras de amor.
Os cavalos são ternos
e olham com dor para
os torturados.
De noite ouvem os
gemidos
e os seus cascos batem
para espantar os
mortos.
Assim é agora a
epidemia do sangue.
Sobre os ombros dos
vinte anos
a morte cruel caminha
e é estrondo,
chama ou cinza
arrastada pelo vento.
[MATILDE ESPINOSA
(1910 – 2008)]
[in Um País que Sonha –
cem anos de poseis colombiana (1865 – 1964)]
(selecção e prólogo de
Lauren Mendinueta, tradução de Nuno Júdice)
(in Poemário Assírio
& Alvim 2014)
sábado, 28 de março de 2015
[O MILAGRE]
O milagre é a preguiça de Deus, ou, antes, a preguiça que Lhe atribuímos, inventando o milagre.
BERNARDO SOARES
[FERNANDO PESSOA (1888 - 1935)]
(Aforismos e Afins)
(edição e prefácio de Richard Zenith, tradução de Manuela Rocha)
(in Poemário Assírio & Alvim, 2014)
BERNARDO SOARES
[FERNANDO PESSOA (1888 - 1935)]
(Aforismos e Afins)
(edição e prefácio de Richard Zenith, tradução de Manuela Rocha)
(in Poemário Assírio & Alvim, 2014)
sexta-feira, 27 de março de 2015
[O HOMEM PERFEITO]
O
Homem perfeito deve viver, por assim dizer, em diversos lugares e em vários
Homens, simultaneamente – é necessário que lhe estejam constantemente presentes
múltiplos acontecimentos e um círculo mais vasto. Assim se forma, então, a
verdadeira e grandiosa presença do espírito – que faz do Homem um verdadeiro
cidadão do mundo e o estimula e fortalece em cada momento da sua vida, através
das mais benéficas associações e o coloca na clara disposição de uma actividade
lúcida.
[NOVALIS (1772 - 1801)]
(Fragmentos de Novalis)
(selecção, tradução e desenhos de Rui Chafes)
(in Poemário Assírio & Alvim 2013)
quinta-feira, 26 de março de 2015
COMO COMEÇOU TUDO ISTO
Como começou tudo isto, e porque estou aqui
Neste balcão arqueado com a sua pintura castanha a desfazer-se?
Papegaai, Mezcal, Hennessey, Cerveza,
Duas escarradeiras viscosas, sem companhia a não ser o medo:
Medo da luz, da Primavera, do lamento
Das aves, e dos autocarros voando para longínquas paragens,
E dos estudantes que vão às corridas
E das raparigas que saltam com o vento nas suas caras,
Mas sem companhia, sem companhia a não ser o medo:
Medo da fonte que canta e de todas as flores
Que conhecem o sol e são meus inimigos.
E estar horas mortas?
[MALCOLM LOWRY (1909 - 1957)]
(As Cantinas e Outros Poemas de Álcool e do Mal)
(selecção e tradução de José Agostinho Baptista)
(in Poemário Assírio & Alvim 2013
Neste balcão arqueado com a sua pintura castanha a desfazer-se?
Papegaai, Mezcal, Hennessey, Cerveza,
Duas escarradeiras viscosas, sem companhia a não ser o medo:
Medo da luz, da Primavera, do lamento
Das aves, e dos autocarros voando para longínquas paragens,
E dos estudantes que vão às corridas
E das raparigas que saltam com o vento nas suas caras,
Mas sem companhia, sem companhia a não ser o medo:
Medo da fonte que canta e de todas as flores
Que conhecem o sol e são meus inimigos.
E estar horas mortas?
[MALCOLM LOWRY (1909 - 1957)]
(As Cantinas e Outros Poemas de Álcool e do Mal)
(selecção e tradução de José Agostinho Baptista)
(in Poemário Assírio & Alvim 2013
quarta-feira, 25 de março de 2015
[cheirava mal]
cheirava mal, a morto, até me
purificarem pelo fogo,
e alguém pegou nas cinzas e
deitou-as na retrete e puxou o autoclismo,
requiescat in pace,
e eu não descanso em paz nas
retretes terrestres,
a água puxaram-na talvez para
inspirar o epitáfio,
como quem diz:
aqui vai mais um poeta antigo, já
defunto, é certo, mas em vernáculo e
tudo,
que
Deus, ou o equívoco dos peixes, ou a ressaca,
o
receba como ambrósia sutilíssima nas profundezas dos esgotos,
merda
perpétua,
e
fique enfim liberto do peso e agrura do seu nome:
vita
nuova para este rouxinol dos desvãos do mundo,
passarão
a quem aos poucos foi falhando o sopro
até
a noite desfazer o canto,
errático
canto e errado no coração da garganta,
canto
que o trespassava pela metade das músicas
-
e ao toque no autoclismo ascendia a golfada de merda enquanto
as turvas águas últimas
se
misturavam com as águas primeiras
[HERBERTO HELDER (1930 – 2015)]
(de Servidões, in Poemas Completos, porto Editora, 2014)
(publicado a 25.03.2015
no Jornal Público)
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