Já flameja a melancia. A noite
cai mais densa. E tu regressas
um tanto triste ao meu ardor.
[SANDRO PENNA (1906 - 1977)]
(No Brando Rumor da Vida)
(tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo)
(in Poemário Assírio & Alvim 2013)
UMA TENTATIVA DE PARTILHAR POEMAS, UM POR DIA. CORREU BEM EM 2012. NÃO CORREU BEM EM 2013 E 2014. SERÁ QUE ESTE ANO DE 2015 É ESPECIAL E FARÁ COM QUE, DE NOVO, SE CUMPRA O DESEJADO?
sexta-feira, 3 de abril de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
[A MÚSICA]
A música
une, os costumes separam. Pela união origina-se a amizade dos homens entre si,
pela separação a consideração de uns pelos outros. Quando a música alcança uma
importância demasiada, há negligência. Quando os costumes predominam em
demasia, quebra-se o apreço e surge o alheamento.
[HUGO VON HOFMANNSTHAL (1874 – 1929)]
(Livro dos Amigos)
(tradução e
prefácio de José A. Palma Carlos)
(in Poemário
Assírio & Alvim 2013)
quarta-feira, 1 de abril de 2015
A HERANÇA
Da
última vez que morri (e, querida, morro
Tantas
vezes quantas de ti me aparto)
Ainda
que tenha sido há uma hora apenas,
E
as horas dos amantes sejam uma eternidade,
Consigo
recordar, que eu
Disse algo, e concedi algo
Que,
apesar de morto me fez voltar, e obrigou a ser
O
meu próprio executor e herança.
Ouvi-me
falar: <<Diz-lhe já
Que eu>> (ou seja tu, não eu)
<<Me
matou>>; e quando me senti morrer
Deliberei
enviar o meu coração depois de ter partido.
Mas
– infeliz! – não encontrei lá nenhum,
Quando me abri e procurei no sítio onde
se guardam.
Matou-me
outra vez que eu, sempre sincero
Em
vida, na minha última vontade te defraudasse.
Se
bem que encontrei algo semelhante a um coração,
Mas tinha cores e cantos.
Não era bom, nem era mau,
Não
era fiel a ninguém, e alguns o partilhavam.
O
melhor que se podia arranjar por arte
Parecia; por isso, triste por nossas
perdas,
Pretendi
mandar este coração em vez do meu.
Mas
oh, nenhum homem o podia segurar, porque era o teu.
[JOHN
DONNE (1572 – 1631)
(Poemas
Eróticos)
(tradução
de Helena Barbas)
(in
Poemário Assírio & Alvim 2013)
terça-feira, 31 de março de 2015
[O POETA]
O Poeta precisamente só o será quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo.
[ANTÓNIO MARIA LISBOA (1928 - 1953)]
(Poesia)
(in Poemário Assírio & Alvim 2014)
[ANTÓNIO MARIA LISBOA (1928 - 1953)]
(Poesia)
(in Poemário Assírio & Alvim 2014)
segunda-feira, 30 de março de 2015
A ÁRVORE DA VIDA
A Árvore da Vida é adornada de belas flores
E em seu redor perfilam-se as mais garbosas hostes.
A sua crista domina o espaço imenso
E as planuras do céu recebem os frutos maduros.
Na ramaria, em glória pousa um bando de
esplendorosas aves
E as aves entoam cânticos de perfeita harmonia.
As folhas não secam e as flores não murcham
E antes crescem sua beleza e abundância.
Belo é o bando das aves que guarda a árvore
Luminosas as cores brilhando em milhares de penas.
Sem temor nem pecado em serena alegria
Por cada pena as aves cantam mil melodias.
[IRLANDÊS - AUTOR DESCONHECIDO ( FINAL DO SÉCULO X)]
( in O Grito do Gamo - poemas celtas da fé e do sagrado)
(tradução de José Domingos Morais)
(in Poemário Assírio & Alvim 2013)
E em seu redor perfilam-se as mais garbosas hostes.
A sua crista domina o espaço imenso
E as planuras do céu recebem os frutos maduros.
Na ramaria, em glória pousa um bando de
esplendorosas aves
E as aves entoam cânticos de perfeita harmonia.
As folhas não secam e as flores não murcham
E antes crescem sua beleza e abundância.
Belo é o bando das aves que guarda a árvore
Luminosas as cores brilhando em milhares de penas.
Sem temor nem pecado em serena alegria
Por cada pena as aves cantam mil melodias.
[IRLANDÊS - AUTOR DESCONHECIDO ( FINAL DO SÉCULO X)]
( in O Grito do Gamo - poemas celtas da fé e do sagrado)
(tradução de José Domingos Morais)
(in Poemário Assírio & Alvim 2013)
domingo, 29 de março de 2015
PORTAS FECHADAS
As sombras repetem-se
e chegam trémulas
ao pé das cidades.
Ninguém quer abrir as
portas
com medo da epidemia.
O sangue desce das
montanhas
e interna-se nos
hospitais.
Nos quartéis choram os
cavalos
e não querem ouvir
falar de guerra,
têm más recordações,
pensam nas pradarias
e nas suas
companheiras de amor.
Os cavalos são ternos
e olham com dor para
os torturados.
De noite ouvem os
gemidos
e os seus cascos batem
para espantar os
mortos.
Assim é agora a
epidemia do sangue.
Sobre os ombros dos
vinte anos
a morte cruel caminha
e é estrondo,
chama ou cinza
arrastada pelo vento.
[MATILDE ESPINOSA
(1910 – 2008)]
[in Um País que Sonha –
cem anos de poseis colombiana (1865 – 1964)]
(selecção e prólogo de
Lauren Mendinueta, tradução de Nuno Júdice)
(in Poemário Assírio
& Alvim 2014)
sábado, 28 de março de 2015
[O MILAGRE]
O milagre é a preguiça de Deus, ou, antes, a preguiça que Lhe atribuímos, inventando o milagre.
BERNARDO SOARES
[FERNANDO PESSOA (1888 - 1935)]
(Aforismos e Afins)
(edição e prefácio de Richard Zenith, tradução de Manuela Rocha)
(in Poemário Assírio & Alvim, 2014)
BERNARDO SOARES
[FERNANDO PESSOA (1888 - 1935)]
(Aforismos e Afins)
(edição e prefácio de Richard Zenith, tradução de Manuela Rocha)
(in Poemário Assírio & Alvim, 2014)
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